O cantor sertanejo Marcelo Gasparini, que formava há décadas uma dupla com o irmão gêmeo, Maurício Gasparini, morreu aos 54 anos na madrugada desta segunda, 31 de agosto de 2026, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ele estava internado e enfrentava uma leucemia mieloide aguda, descoberta em fevereiro deste ano.
Marcelo chegou ao diagnóstico depois de uma infecção bacteriana. Desde então, passou a dividir com seus seguidores alguns momentos do tratamento e pediu orações pela recuperação. Também usou sua visibilidade para incentivar a doação de sangue e de medula óssea.
Durante o tratamento, o cantor foi submetido a um transplante de medula. O próprio Maurício foi o doador, numa tentativa de ajudar o irmão gêmeo na luta contra a doença. Apesar dos esforços da equipe médica e da família, Marcelo não resistiu às complicações.
Casado e pai de um filho, o artista também era formado em Direito e atuava como empresário. Foi na música, porém, que construiu uma história especialmente ligada à do irmão. Os dois começaram a cantar quando ainda eram crianças e transformaram a parceria familiar em uma carreira que atravessou mais de três décadas.
Dupla começou ainda na infância
A história de Maurício e Marcelo começou muito antes de os dois se tornarem conhecidos pelo público. Os irmãos gêmeos cantavam juntos desde pequenos, passando por igrejas e festivais antes de profissionalizarem a parceria.
Aos 12 anos, formaram oficialmente uma dupla e adotaram inicialmente o nome Irmãos Gasparini. Eram apenas os dois, acompanhados por seus violões. Com o passar do tempo, a carreira cresceu e os irmãos passaram por diferentes projetos, incluindo a banda Voo Livre.
Um dos capítulos mais importantes dessa trajetória aconteceu no Clube da Viola, projeto dedicado à valorização da música sertaneja e da tradição da viola. Maurício e Marcelo fizeram parte do grupo por mais de 30 anos e construíram ali boa parte de sua ligação com o público.
A parceria musical dos gêmeos chegou aos 35 anos. Segundo Maurício, a alegria e a irreverência se tornaram marcas dos dois durante as apresentações. Ao recordar a trajetória construída ao lado do irmão, ele destacou que a união não havia começado nos palcos, mas ainda durante a gestação.
“O que me deixa mais confortado é que foi uma união que não começou nos palcos. Ela começou de dentro da barriga da minha mãe”, afirmou Maurício ao falar sobre a perda.
Luta contra a leucemia
A vida da dupla mudou em fevereiro de 2026, quando Marcelo descobriu que estava com leucemia mieloide aguda. A partir do diagnóstico, os shows e projetos deram lugar à batalha contra a doença.
Internado em um hospital particular de Ribeirão Preto, o cantor iniciou o tratamento e manteve parte de sua rotina compartilhada nas redes sociais. Além das mensagens sobre seu próprio estado de saúde, Marcelo aproveitou o momento para conscientizar os seguidores sobre a importância das doações de sangue e medula.
A possibilidade de um transplante trouxe o irmão novamente para o centro de sua história. Maurício era compatível e se tornou o doador de medula de Marcelo. Mesmo após o procedimento, porém, o quadro do cantor acabou se agravando.
Nos últimos dias, a família percebeu que Marcelo estava cada vez mais debilitado. Bruno Gasparini, filho do artista, contou que, durante uma de suas últimas conversas com o pai no hospital, ele já conseguia responder apenas por meio de pequenos gestos.
Bruno havia cortado o cabelo e perguntou ao pai se havia gostado. Marcelo conseguiu abrir os olhos e olhar para o filho. Pouco depois, a família compreendeu que seu estado de saúde havia chegado a um ponto muito delicado.
Maurício se despede do irmão gêmeo
A morte provocou uma série de homenagens de familiares, amigos e companheiros de palco. Maurício se emocionou ao recordar que teve não apenas um parceiro musical por 35 anos, mas um irmão que esteve ao seu lado desde o nascimento.
Para ele, a história da dupla foi marcada principalmente pela alegria. “Por onde a gente passava, a gente só deixou sorriso”, resumiu o cantor ao falar sobre a caminhada dos dois.
O Clube da Viola também lamentou a perda. Integrantes do projeto compareceram ao velório para prestar as últimas homenagens, e o diretor executivo Herald Antunes afirmou que os palcos não serão mais os mesmos sem Marcelo.
Amigos que conviveram com os irmãos ressaltaram justamente a alegria que os dois transmitiam durante as apresentações. Para quem acompanhava a dupla, a relação entre Maurício e Marcelo ultrapassava a música e se transformava numa das principais características de suas aparições públicas.
A família do cantor também divulgou uma mensagem agradecendo as manifestações de carinho, solidariedade e as orações recebidas desde que a doença foi descoberta. Os familiares pediram ainda respeito à privacidade neste momento de luto.
História da dupla vai virar filme
A trajetória de Maurício e Marcelo ainda deverá ganhar um registro especial. Antes do diagnóstico de leucemia, os irmãos haviam preparado um filme sobre os 35 anos de carreira da dupla.
Segundo Maurício, o projeto já estava pronto e deveria ter sido lançado entre fevereiro e março deste ano. A descoberta da doença de Marcelo, no entanto, fez com que o lançamento fosse adiado.
Agora, o filme deverá ganhar um significado diferente. Além de contar a história de dois irmãos que começaram a cantar juntos aos 12 anos e permaneceram lado a lado durante décadas, o trabalho se transformará também em uma homenagem a Marcelo.
A morte interrompe a dupla nos palcos, mas deixa uma trajetória construída desde a infância. Foram 35 anos de carreira profissional, mais de três décadas de ligação com o Clube da Viola e uma parceria que, para Maurício, nunca foi apenas musical: começou antes mesmo do nascimento dos dois e permaneceu até os últimos dias de Marcelo.

