Silvetty Montilla é o nome artístico de Sílvio Cássio Bernardo, artista paulistano que construiu uma carreira de quase quatro décadas como drag queen, ator, humorista, apresentador e repórter. Nascido em 10 de julho de 1967, na Zona Norte de São Paulo, ele começou a se apresentar ainda nos anos 1980 e se tornou uma das figuras mais conhecidas da noite LGBTQIA+ brasileira. O que começou como uma atividade aos fins de semana acabou se transformando em profissão e em uma trajetória marcada por teatro, televisão, humor e música.

Foto: Divulgação

Antes da carreira artística, Silvetty chegou a trabalhar no Ministério Público de São Paulo, depois de ser aprovado em concurso público aos 18 anos. Em 1987, passou a se montar para apresentações em bares e boates e rapidamente chamou atenção pelo carisma, pela afinação e pelo improviso. Participou de concursos voltados para drag queens e conquistou títulos como Miss Primavera, Miss Brasil, Rainha do Carnaval e Miss Universo. Com o crescimento dos trabalhos nos palcos, decidiu deixar o emprego público para se dedicar integralmente à arte.

Uma carreira que foi muito além das boates

No teatro, Silvetty participou de montagens como “Cindy ou Fregi”, “Os Garotos da Sauna”, “Non é Vero é Veríssimo” e “As Três Marias”, além de integrar o elenco do grupo Terça Insana. Também desenvolveu trabalhos próprios de humor e stand-up e participou do musical “Cartola – O Mundo é um Moinho”. Na televisão, esteve em programas como TV Fama e Eliana e fez participações em produções como Toma Lá, Dá Cá e Pé na Cova. Também emprestou a voz à personagem Vedete Champagne, da animação Super Drags, da Netflix.

Foto: Instagram

Na internet, Silvetty ficou especialmente conhecida por comandar o “Academia de Drags”, reality voltado para artistas drag que ganhou grande repercussão no YouTube. A produção teve três temporadas e se tornou um dos projetos mais marcantes de sua trajetória. Seus bordões, entre eles “é o que tem pra hoje” e “foca nas joias”, também ajudaram a consolidar sua identidade artística e aproximá-la de públicos que iam muito além da cena LGBTQIA+.

Saúde e novos desafios

Nos últimos anos, Silvetty também passou por dificuldades de saúde. Complicações provocadas pela diabetes levaram à perda da função dos rins e à necessidade de sessões de hemodiálise. Em entrevistas, ela contou que chegou a fazer o tratamento três ou quatro vezes por semana e entrou na fila para um transplante. Uma de suas irmãs é compatível para uma possível doação, mas a artista precisou aguardar por causa de uma angioplastia realizada anteriormente. Mesmo diante do quadro, retomou gradualmente os trabalhos e afirmou não ter intenção de abandonar os palcos.

Foto: Instagram

Um dos momentos recentes mais importantes da carreira veio com a estreia em novelas. Em “Quem É o Pai do Meu Bebê?”, disponível no Globoplay, Silvetty interpreta Marilda, uma repórter ambiciosa que comanda um programa de televisão e busca notícias capazes de render audiência. A personagem também permitiu que a artista realizasse um desejo antigo: participar de uma novela. Depois de tantos anos dedicados à noite, ao humor e à representação da comunidade LGBTQIA+, Silvetty segue ampliando seu espaço na televisão e mantendo uma trajetória que já atravessa diferentes gerações.

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